segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

As riquezas da História da Igreja: Parte 2

Outro grupo de grande envergadura espiritual do período foram os chamados “Pais do Deserto”, os primeiros monges cristãos, que, a princípio se retiravam para lugares ermos a fim de orar e meditar. Pessoas de várias partes iam consultá-los, a fim de receber sábios conselhos espirituais. O primeiro dos Pais do Deserto foi Antão (251 d.C.- 356 d.C.), cuja vida é a nós narrada pelo já citado Atanásio. Outros homens e mulheres, como Pacômio(c.292 d.C.-348 d.C.) e Maria Egípcia (que era prostituta antes de se converter) também estão nesse grupo. Com o tempo, esses eremitas viram que seria mais proveitoso caso passassem a viver em grupos. Basílio de Cesareia foi um dos organizadores desses grupos. A vida monástica tal qual conhecemos teve origem, no Ocidente, com Bento da Núrsia (480-547), que fundou um mosteiro na Itália e escreveu uma regra de obediência para os que quisessem se ajuntar ao seu grupo (a futura ordem beneditina). A partir daí, várias ordens foram surgindo. Os monges faziam voto de pobreza, obediência e castidade. Pode nos parecer muito duro, mas conforme observa Richard Foster em um de seus livros, tais votos são respostas enérgicas às três áreas nas quais somos mais tentados: dinheiro, poder e sexo. Mas se engana quem pensa que os monges apenas oravam e intercediam por tudo e todos, seja em orações particulares, seja em liturgias nos templos (o que, aliás, já era uma grande tarefa). Especialmente na ordem beneditina, havia uma série de trabalhos aos quais os monges se dedicavam, que iam da manutenção do prédio do mosteiro à produção de alimentos e drenagem de pântanos. Graças a estes monges nós possuímos a Bíblia, pois foram eles que fizeram as cópias dos manuscritos bíblicos, e cópias destas cópias. Escreveram também rico material teológico e devocional, baseado nas longas horas de oração, estudo e meditação que tinham nos mosteiros. Nas bibliotecas dos mosteiros eram conservadas também obras herdadas da Antiguidade, sendo os mosteiros, num primeiro período, os centros intelectuais medievais (posteriormente disputariam esse posto com as universidades). Vale lembrar também que os mosteiros acolhiam visitantes e necessitados, e foi ao lado de muitos mosteiros que nasceram os hospitais modernos. Devido a essa grande importância dos mosteiros, o teólogo católico Felipe Aquino chama o citado Bento de “Pai da Europa”.

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