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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Movimento de Convergência

NOTA DO EDITOR: 1.Não concordo com 100% do artigo, mas mesmo assim o considero muito bom e oportuno. 2. O termo "procissões", usado pelo autor, não se refere ao costume católico romano de se levar imagens de Cristo ou dos santos pelas ruas, tributando-lhes o culto de "dulia", mas à prática de uma entrada solene dos ministros na igreja, prática que existe em não só no catolicismo, mas em vários grupos anglicanos, luteranos e reformados.



Movimento de Convergência

 “Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” - Mateus 13:52

Esta passagem bíblica resume a fonte do descobrimento de uma corrente de pensamento e renovação através do Corpo de Cristo.
Descrito como o Movimento de Convergência  ou “Convergência das Correntes”, este insipiente movimento aparece, tanto para os observadores como para os participantes, como outra evidência contemporânea da ação continuada de Deus na história, para renovar, restabelecer e unificar o seu povo em um mesmo sentir e propósito em Cristo.
O Movimento de Convergência surgiu a partir do desejo e do sentir comum de se ter uma plena experiência da espiritualidade cristã. Para facilitar, neste artigo, chamaremos este movimento pela sigla “MC”. 
Seu principal objetivo é trabalhar na convergência ou união dos elementos essenciais da fé, ordem e prática cristã associando as correntes: carismática/pentecostal; evangélica/reformada e litúrgica/sacramental. Desta forma, um número crescente de congregações e líderes locais de muitas outras denominações, estão encontrando “tesouros velhos e novos” herdados espiritualmente da Igreja universal.
O gráfico seguinte, desenvolvido pela liderança da Igreja Hosanna ao Rei, localizada na área metropolitana de Kansas City, ilustra os elementos essenciais e substanciais que estão sendo praticados pela maioria dos participantes no movimento, nos seguintes pontos:

Litúrgico / Sacramental
Evangélico
Carismático
A teologia
A base bíblica
O ministério quíntuplo e o governo
A ortodoxia
A conversão pessoal
O poder do Espírito
A universalidade
O evangelismo e a missão
Os dons espirituais
O culto litúrgico
O culto centrado no púlpito
A adoração carismática
A ação social
A santidade pessoal
O reino
A compreensão da encarnação da Igreja (baseada na teologia, na história e nos elementos sacramentais do pensamento)
A compreensão bíblica e reformada da Igreja (pragmática e racional)
A compreensão da Igreja como espiritual, orgânica e
funcional (dinâmica e
informal)

A combinação ou convergência dessas tradições é vista como a obra do Espírito Santo que compartilha sua graça, como vemos na visão do Salmo 46:4-5 “Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã”.
Deste modo, a “Cidade de Deus“ é vista como a Igreja; o rio, como a ação e o fluir de sua presença na Igreja e, as muitas correntes, como expressões do rio que vão sendo desenvolvidas e bifurcadas do rio principal através da história.
Todas as correntes são necessárias para enriquecer e alegrar a cidade de Deus com a plenitude da vida, o poder, o propósito e a sua presença. Hoje nos encontramos num tempo no qual as correntes parecem correr até o rio e se unir cada vez mais. O ministro anglicano David Watson escreveu em seu livro "Eu Creio na Igreja" o seguinte: “Este rompimento com Roma (a Reforma), apesar de inevitável, devido à corrupção do tempo, desgraçadamente produziu sucessivas divisões que tem partido em mil pedaços o Corpo de Cristo, com um resultado que, hoje, a missão da Igreja é gravemente invalidada pela variedade desconcertante de denominações... Assim sendo, a Igreja é uma cristandade dividida e separada não obstante isto ser um escândalo e, cremos, todos os cristãos necessitam arrepender-se deste fato profundamente...”. Esta chamada para seguir adiante é o desejo de muitos no MC que querem ver as correntes da Igreja juntas.
Wayne Boosahda e Randy Sly, da Igreja de Hosanna del Rey, expressaram a convicção de que “distantes dos dias da Reforma, agora vemos o coração de Deus movendo-se até uma categoria de reforma ao inverso ou a restauração de uma Igreja Santa, Católica e Apostólica (católico aqui usado para se referir ao mais amplo sentido da Igreja de Jesus Cristo, como Universal)”.

A História do seu Aparecimento e Crescimento
O Movimento de Convergência parece ter duas fontes antecedentes em duas áreas de renovação espiritual e culto da Igreja neste século: a renovação carismática contemporânea e o movimento de renovação litúrgica, incluindo católicos e protestantes.
A renovação carismática começou no início dos anos 1960 e se desenvolveu principalmente no meio das denominações. A renovação uniu elementos pentecostais e carismáticos, tais como santidade, profecia e espontaneidade de louvor e adoração, com os elementos mais tradicionais (e eventualmente, católico romanos) das práticas litúrgica e reformada.
O que alguns chamaram de a “Terceira Onda” ou o “Movimento de Sinais e Maravilhas” começou em volta de 1978 com o aparecimento do ministério de Jonh Wimber e as Igrejas da Videira que surgiram através do seu trabalho. James Robinson, Jim Hylton, Ray Robinson, além de outros líderes batistas do sul, presenciaram uma onda que se chamou “O Movimento da Plenitude” que tocou principalmente a CBS. Peter Wagner e outros membros do Seminário Teológico Fuller, formalizaram o movimento através de seus escritos e atuaram como um filtro e ponto de enfoque. A Terceira Onda foi descrita por algumas pessoas como um epílogo da Renovação Carismática, reunindo os elementos carismáticos do culto - experiência e pratica, com a tradição evangélica.
A outra influência chave sobre MC foi o movimento de renovação litúrgica, que surgiu originariamente na França dentro da Igreja Católica Romana e em Oxford através do Movimento Tractariano da Igreja da Inglaterra no século XIX. A renovação litúrgica causou um ressurgimento do interesse de retornar à essência, ao espírito e à forma do culto cristão antigo, como foi praticado e entendido pela Igreja primitiva dos primeiros oito séculos. O enfoque particular foi dado aos pais apostólicos da Igreja primitiva e indivisa até o ano 390 d.c. As descobertas e o enriquecimento da teologia e a prática do culto e o ministério daquela era fértil foi derramado nas Igrejas protestantes e começou a ter um grande impacto sobre elas por volta de 1950.
Há um componente comum no atual MC que veio desses movimentos anteriores que é o grande desejo e a preocupação pela unidade de todo o Corpo de Cristo, a Igreja. Não obstante não ter se associado com o Movimento Ecumênico oficial do Concílio Mundial de Igrejas, o MC tem um grande desejo de aprender com outras tradições de culto e espiritualidade que estejam além de sua própria tradição, buscando assim integrar estas descobertas em sua própria prática e experiência no caminho da fé.
Verdadeiramente, muitos líderes no movimento descrevem sua experiência como um caminho ou peregrinação convincente. Desta forma, buscaram através de acontecimentos soberanos, relações pessoais, leitura de livros ou idéias ocasionais, uma melhor compreensão da Igreja e, sendo assim, chegaram a conclusões que eram bastante diferentes de suas prévias perspectivas e de seus antecessores.
Um caso em evidência foi Richard Foster, de antecedente quaker, cuja peregrinação pessoal o dirigiu para escrever o clássico “A Celebração da Disciplina” em que ele enfoca uma prática integrada de disciplinas espirituais perfiladas desde as cinco tradições básicas da espiritualidade na Igreja através da história. Como resultado de seu enfoque revelador, Foster convocou uma conferência em 1988 chamada “Renovare” que se reuniu em Wichita, Kentucky. Essa conferência e o objetivo de renovação converteram-se nos precursores diretos do conceito de convergência de correntes.
Sem ser reconhecido abertamente até 1985, constata-se, que muitas pessoas conheceram o MC no caminho proveniente de várias transformações da Igreja que tiveram experiências e pontos de vista semelhantes ou idênticos. De uma em uma, congregações e líderes foram se conhecendo com a sensação de que Deus estava fazendo alguma coisa em um nível básico semelhante a um rio subterrâneo que está perto de sair para superfície.
Os pioneiros contemporâneos do MC, que formaram seu conhecimento e pensamento, são homens como o Dr. Robert Webber – autor e professor de Teologia em Wheaton College; o Dr. Robert Stamps - antigo capelão da Universidade Oral Roberts; Peter Gillquist - antigo líder e agora um sacerdote e evangelista ortodoxo; Thomas Howard, de St. John Seminary; Thomas Oden – o teólogo e autor da Drew University; Howard Snyder - teólogo, autor e educador cristão; Stan White – antigo pastor da Assembléia de Deus e agora um sacerdote episcopal e outros como David Duplessis - ministro pentecostal e precursor do diálogo carismático ecumênico entre católicos romanos e pentecostais; o atual arcebispo de Cantuária George Carey; a Ordem Litúrgica de São Lucas dos Metodistas Unidos e Peter Hocken – teólogo católico romano.
Como podemos ver, o MC tem a capacidade de agregar pessoas que vêm de uma profunda transformação, desde fundamentalistas e evangélicos ao anglicanismo/episcopal e protestantes e, desde pentecostais clássicos e carismáticos independentes a católicos e ortodoxos. Apesar de nem todos os que foram citados fazerem parte diretamente do MC, sem nenhuma dúvida, ajudaram a formar e influenciaram a visão, pensamento e prática desenvolvida dos que lá estão.
Robert Weber escreveu vários livros chaves na história e na prática do culto cristão tais como “Culto Antigo e Novo“, “A Adoração é um Verbo” e “Sinais e Prodígios - O Fenômeno de Convergência nas Igrejas Modernas: Litúrgicas e Carismáticas”, os quais tem sido sumamente influentes no movimento. Seu livro “Evangélicos no Estreito Caminho de Cantuária”, descreve uma tendência de cristãos evangélicos que se unem as Igrejas litúrgicas e suas razões. Este livro foi uma das primeiras descobertas para muitos que agora trabalham claramente em uma perspectiva de convergência.
O maior conhecimento público do novo movimento veio por Stan White, um jovem da quarta geração de pastores da Assembléia de Deus de Valdosta, Georgia, que fomentou um grande debate quando tomou toda sua congregação carismática independente e foi para a Igreja Episcopal. A história foi contada pela revista “Cristianismo Hoje” em setembro de 1990 com o título: “Por que os bispos foram a Valdosta?”. A revista Carisma, a principal voz do movimento carismático, publicou um artigo em abril de 1991 sobre a ida de Stan White até uma Igreja que era completamente carismática, completamente evangélica, completamente litúrgica e sacramental.
Peter Giliquist, um líder do Ágape (Cruzada Estudantil para Cristo) nos anos 60, deixou o movimento Ágape com vários outros líderes próximos em busca da verdadeira Igreja do Novo Testamento. O livro de Giliquist “Fazendo-se Ortodoxo - Uma Viagem à Fé Cristã Antiga”, descreve uma crônica de sua peregrinação fascinante em busca, através do estudo e investigação, da Igreja primitiva durante quinze anos. Seus descobrimentos os dirigiram a serem recebidos e incluídos por completo na Igreja Ortodoxa de Antioquia. Dois mil crentes evangélicos/carismáticos que formaram a associação das quinze congregações que eles haviam fundado, foram recebidos também no ramo da Igreja Ortodoxa de Antioquia.
Quando as notícias desses acontecimentos começaram a circular, vários líderes começaram a identificar algo novo e foram alentados pelo fato de reconhecerem que Deus estava verdadeiramente restaurando uma fé antiga em um mundo novo. Assim, esses líderes ficaram, de fato, aliviados ao descobrir que não eram os únicos que pensavam dessa maneira ou estavam convencidos por esta visão. De uma forma inesperada, pareceu que Deus estava confirmando sua chamada através do início de uma visão de unidade do Corpo de Cristo baseada na oração de Jesus em João 17 e na sua declaração em João 10:16 “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (NVI). Pareceu a eles ser uma unidade que não só ultrapassaria as fronteiras, mas que também dirigiria à ampliação e ao enriquecimento da fé, da visão, do culto e da prática da plenitude em toda a Igreja.
Dois grupos chaves de congregações locais que representavam e refletiam a visão, os valores e as práticas reveladas no MC se encontram nas áreas metropolitanas de Kansas e Oklahoma. A Igreja Hosanna del Rey, fundada em 1988 no Kansas como uma congregação carismática independente, foi um instrumento utilizado por Deus para despertar interesses e compartilhar, localmente e mais além, o despertar da convergência de correntes. Aberta por Wayne e Stephanie Boosahda, a Igreja é agora pastoreada por Randy e Sandy Sly, que vêm trabalhando junto com Boosahda numa forte ênfase quanto ao fomento do conhecimento desta obra do Espírito de Deus.
Também encontramos nessa linha de convergência, congregações episcopais, carismáticas e evangélicas independentes. Os pastores Ron Mccrarye, da Igreja Episcopal de Cristo e Randall Davey, da Igreja Nazarena Overland Park, representam outros dois líderes e congregações impactados pelo pensamento e pela prática do MC.
Em Oklahoma, os pastores Mike e Beth Owen da Igreja do Espírito Santo, originalmente uma Igreja da Videira e o Dr. Robert Wise e sua esposa Margarita, da Igreja Comunitária do Redentor juntos com suas congregações, impactaram uma área de Oklahoma quando compartilharam suas experiências com outras congregações e líderes, especialmente dentro de círculos litúrgicos e carismáticos. Eles desenvolveram fortes vínculos com os de Kansas e, dessa forma, formalizaram a visão e os valores essenciais do movimento em nível nacional e internacional.
Essas Igrejas e seus líderes, juntamente com vários outros membros da Igreja de Jesus Cristo, estão convencidos de que se encontram envolvidos com algo significativo na história e na promessa para “a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica” de Jesus Cristo em nosso tempo.

Os Elementos Comuns de Igrejas de Convergência
Aqueles que são atraídos pelo Senhor a esta convergência de correntes são caracterizados por vários elementos comuns. Ao mesmo tempo, não obstante não estarem em ordem de importância, eles parecem formar a base para a direção e o enfoque do MC.

1. Um compromisso de restaurar os sacramentos, especialmente a Mesa do Senhor.
Os membros provenientes das correntes evangélicas e carismáticas da Igreja não tem enfatizado realmente a dimensão sacramental da Igreja. De fato, para eles, o Batismo e a Santa Comunhão são vistos mais como ordenanças do que como sacramentos - as ordens do Senhor devem ser empreendidas pela Igreja, porém, não por um propósito, mas pela obediência. Analisando por uma perspectiva mais sacramental, estas duas expressões da vida da Igreja se vêem como santas e sagradas ao Senhor, símbolos com verdadeiro significado espiritual usados como um ponto de contato entre o homem e Deus. A presença do Senhor e do seu poder se libera nestes atos e o adorador os encontra por meio dos elementos.

2. Um desejo maior de conhecer mais sobre a igreja primitiva
Para muitos cristãos, existiu um vazio entre as páginas do Novo Testamento e a Igreja contemporânea. Isto deixou o Corpo desconectado, sem herança histórica. Como um barco à deriva, a Igreja tem tido dificuldades, ao longo dos tempos, em explicar quem é, de onde veio ou por que existe. Uma mudança recente, dentro desta perspectiva, fez com que a Igreja começasse a reencontrar suas raízes de tal forma a gerar uma conexão comum no contexto do Reino de Deus. O estudo da Igreja primitiva deu oportunidade a muitos de verem os princípios da Igreja do Novo Testamento levados a cabo pelos doze apóstolos e seus seguidores. Esses textos proporcionaram uma conexão com a época mais recente, explicando como a Igreja primitiva entendia sua fé e suas práticas, como adorava e como liderava um movimento crescente. Assim, a História do Corpo de Cristo pode ser descrita através das gerações posteriores, com seus êxitos e fracassos.

3. Amor e aceitação pela Igreja inteira e um desejo de ver a Igreja como uma.
As várias expressões do cristianismo permaneceram em seus elementos distintos por muitos anos através da separação sectária e das denominações. As Igrejas de convergência olham para mais além dessas barreiras artificiais para alentar, apreciar e aprender mais acerca da singularidade que encontramos nas diferentes comunidades de fé. A oração de Jesus em João 17 é o chamado à Igreja para ser como um Corpo, não mediante a doutrinas ou dogmas, senão a estar embaixo da unidade da Pessoa de Jesus Cristo - há unidade em nossa diversidade. Este sentido de unidade não requer de nenhuma Igreja renegar sua expressão própria como Corpo de Cristo, mas ao mesmo tempo nos chama a apreciar e acolher a variedade e a beleza da Igreja mundial ao longo da história. As igrejas de convergência apreciam a chegada das várias correntes de outras Igrejas. A chamada das Igrejas do MC é: “ser uma, seguir adiante, juntas, para representar um povo unido em Cristo para alcançar um mundo ferido e doente”. Isso é diferente do ecumenismo barato pregado por muitos grupos ecumênicos.

4. A incorporação das práticas das três correntes é cada vez mais evidente apesar da ênfase de cada igreja ser diferente em sua experiência de convergência.
Uma Igreja não tem que mudar necessariamente sua identidade quando chega a fazer parte do movimento de convergência. A maioria das Igrejas de convergência tem uma base principal - ou uma expressão própria – que está diretamente ligada à corrente que a gerou. Dessa forma, elas podem ser episcopais, ortodoxas, batistas, nazarenas, carismáticas etc. e, mesmo assim, expressam elementos de culto e ministérios de outras correntes. Existem 3 tipos de Igrejas de convergência que são as mais comuns hoje: as Igrejas integradas, as inclusivas e as Igrejas de rede.

As Igrejas integradas têm mantido sua identidade original. A esta base, agregam em suas práticas de culto e ministério elementos das outras correntes que não possuem. Isto tem sido muito comum entre as Igrejas litúrgicas/sacramentais e também nas Igrejas mescladas, que são fundadas entre as correntes evangélicas e carismáticas. A igreja Nazarena Overland Park, Kansas, se enquadra claramente no MC apesar de permanecer fortemente identificada com sua herança confessional.

As Igrejas inclusivas são aquelas que sofreram uma metamorfose ao se tornaram parte do MC. Principalmente, de fundo carismático e evangélico, estas igrejas se encontram em si mesmas identificadas tão de perto com outras correntes que chegam a modificar a si mesmas e muitas chegam a fazer parte das confissões litúrgicas/sacramentais. A Igreja do Rei (Valdosta, Geórgia), a qual mencionamos no início deste artigo, é provavelmente a Igreja inclusiva mais conhecida nos últimos anos.

As Igrejas de rede são as mais independentes que têm feito parte do MC e deixaram suas associações anteriores, porém escolheram permanecer independentes. Suas conexões se baseiam em relações fortes com outras Igrejas similares. A maioria delas provém da corrente carismática.

5. Um interesse de integrar estrutura com a espontaneidade no culto
À medida que o Espírito de Deus continua movendo-se poderosamente no mundo, novos odres (ou estruturas) são requeridos para conter o poder e o potencial do vinho novo. Apesar da maioria dos cristãos futuristas esperarem que os odres novos sejam compostos de Igrejas mais abertas e espontâneas, com uma estrutura menos enfática, o Espírito, independentemente do presente, ressalta a impressão de que isto seria como verter vinho em uma rede de peixes, especialmente em cristãos norte-americanos.
O fogo santo de Deus se acende em fornos de fé nos quais a estrutura, associada às formas litúrgicas, permitem que o poder seja compartilhado sem o temor de cair-se em erros. As liturgias se reintroduzem para trazer um equilíbrio necessário ao culto entre todos os elementos que as escrituras revelam como sendo necessários para adorar a Deus em Espírito e em verdade.
A palavra “liturgia”, significa literalmente “o serviço das pessoas”. Pela implementação dos elementos litúrgicos, o culto passa a ser o serviço do corpo na adoração, no arrependimento, no escutar das Escrituras e na celebração da morte e ressurreição de Cristo. Dentro dessas formas, sempre se pode encontrar liberdade para a ação espontânea do Espírito. Os credos históricos da Igreja – o Credo dos Apóstolos, o Credo Niceno, etc., estão dando cada vez mais ao corpo de Cristo as raízes fundamentais da ortodoxia. O Livro de Oração Comum e outros recursos litúrgicos também interagem com o culto e a adoração espontânea nas Igrejas de convergência. A Mesa do Senhor se celebra com uma maior compreensão da santidade do acontecimento e as Igrejas seguem o ano cristão e o calendário eclesiástico mais consistentemente como um meio de levar o povo a uma viagem anual de fé. Todas essas expressões dão às comunidades locais uma conexão maior com a Igreja mundial e com a Igreja através da história.

6. Uma maior participação dos sinais e dos símbolos no culto através das cruzes, da arte cristã e das vestes clericais.
A Igreja contemporânea começou a recuperar a arte para Cristo. Neste movimento, o uso de sinais e símbolos serve como a representação maior da verdade. Desta forma, outros símbolos aparecem também como pontos de contato para unir duas realidades: o sinal e o símbolo exterior e a realidade interna e espiritual. As cruzes e as velas agora adornam procissões em algumas Igrejas que por anos tiveram a ostentação como um sinal da morte da fé essencial. Alguns pastores tornaram usuais as vestes clericais em vários serviços, cultos e celebrações da Igreja. Tudo isto serve como um sinal e enriquece a realidade espiritual de ser unido com Cristo e identificando com a fala profética estendida a toda Igreja que diz: “Sejam um”.

7. Um compromisso contínuo até a salvação pessoal, o ensinamento bíblico e o trabalho e ministério do Espírito Santo.
Alguns que olham esta “nova direção” dos evangélicos ou carismáticos estão ainda céticos. Nesse sentido, nota-se claramente uma preocupação de que essas Igrejas de convergência abandonem sua herança e o valor da infalibilidade bíblica e da conversão pessoal e se percam comprometendo os elementos litúrgicos/sacramentais. Com freqüência, essa preocupação surge de experiências pessoais prévias e negativas com certas expressões da Igreja ou um estereótipo errôneo. Aqueles que observam as Igrejas litúrgicas/sacramentais estão geralmente preocupados que suas Igrejas aceitem expressões mais conservadoras ou fundamentalistas da fé e da prática.
Este movimento, definitivamente, não é o abandono de uma corrente por outra mas é uma convergência. A obra de Deus é inclusiva e não exclusiva, levando adiante cada elemento que foi identificado. Dessa forma, temas como evangelismo, missões e a obra do ministério pelo poder do Espírito, permanecem intactos nesse caminho. O poder de Deus continua a ser liberado de forma maravilhosa na vida das pessoas, produzindo a conversão, a santidade, a liberdade e a mudança de vida.
A herança bíblica, rica e essencial, da Igreja no poder e na primazia da Palavra tem sido mais completamente desenvolvida quando as Igrejas dão mais tempo no culto à leitura em conjunto da Bíblia. Isto cumpre a admoestação de Paulo a Timóteo “dedique-se a ler as escrituras, a pregar e a ensinar”. Ironicamente, em um domingo pela manhã, geralmente, se lêem mais as Escrituras geralmente em um serviço litúrgico tradicional do que nas reuniões evangélicas ou carismáticas.


Conclusão

O futuro da Igreja será impactado significativamente pelo Movimento de Convergência. Os muros entre grupos e denominações são véus que se podem romper abertamente, dando às outras ramificações do cristianismo uma maior oportunidade de experimentar outras formas de fé e prática.
Quando o Movimento de Convergência se consolida, denominações encontram crescimento numérico e refrigério nas suas Igrejas. A grande quantidade de ingresso de pessoas, com vários níveis de contatos nessas Igrejas, trás uma vitalidade para a antiga fé que é vibrante e forte. Sua devoção intensa pelas formas antigas será contagiante e será acolhida por aqueles que perderam seu entusiasmo.
As trajetórias educativas formais e informais em várias correntes podem chegar a ser muito mais extensas em seu alcance, dirigindo-se a temas que podem ser a teologia e as práticas sacramentais, os ritos de iniciação, a obra do Espírito Santo, etc.
O Movimento de Convergência abrirá também maiores oportunidades para recursos e ministérios compartilhados devido à arquitetura e a disposição das Igrejas em serem conduzidas aos elementos mais comuns do culto de diferentes correntes. Os enfoques do ministério chegarão a ser também mais semelhantes, permitindo uma maior variedade de Igrejas que trabalhem conjuntamente no evangelismo, no discipulado, na ação social e na vida da comunidade cristã.
Nos versos finais do Antigo Testamento, existe uma promessa referente ao espírito de Elias que converterá o coração dos pais ao coração dos filhos e o coração dos filhos ao coração dos pais. Ao mesmo tempo, esses versos vão sendo usados em nossos dias para caracterizar a necessidade de converter os valores das famílias. Existe também a esperança que um novo espírito se derrame sobre a Igreja e faça converter os corações desta geração de crentes até aos pais apostólicos e outros que formaram a fé essencial idealizada nos séculos posteriores à ascensão de Cristo. Eles Imaginaram e trabalharam por um cristianismo que era ortodoxo e duradouro de geração a geração, operando na estreita aderência à revelação de Cristo para a Igreja. A Igreja do Século XXI olha agora com entusiasmo os pais da fé e descobre nova vida nas formas e estruturas que Deus construiu em seu meio.

Autoria : Arcebispo Wayne Boosahda e Bispo Randy Sly - Biblioteca Completa do Culto Cristão, Robert Webber, 1992

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Igreja de Cristo na Idade Média

Com uma busca da localização da Una, Santa, Católica (Universal) e Apostólica Igreja de Cristo durante a Idade Média, pretendo mostrar porque creio na salvação de cristãos não-protestantes.

Cristo prometeu que as portas do inferno jamais prevaleceriam sobre sua igreja (Mt 16.18). No entanto, parece que muitos evangélicos não creem nisso. Ao afirmar que as congregações se apostataram entre os séculos IV,V, e VI , sendo o verdadeiro Evangelho resgatado apenas pelos reformadores do século XVI, ele negam o poder do Salvador e a obra do Espírito Santo ao longo da história do Cristianismo. Se assim crermos, teremos de afirmar que a igreja deixou de existir na Idade Média. Isso é simplesmente inconcebível

Para contornarem a situação, fazem um malabarismo histórico tentando achar grupos que se mantiveram fiéis á verdade bíblica, independentes dos primados de Roma e de Constantinopla. Aqui eles incluem os cátaros, paulicianos, bogomilos, etc. Tal teoria é afirmada principalmente por alguns batistas rigorosos e pentecostais Mas, numa análise histórica, esses grupos foram infinitamente piores do que os desmandos e erros acumulados pela Igreja oficial na Idade Média, não crendo no verdadeiro Deus, no verdadeiro Cristo, e na verdadeira fé. Os cátaros (ou albigenses), por exemplo, eram hereges gnósticos e dualistas, apregoando também a reencarnação! Temos, sim, alguns grupos que de fato buscavam a pureza bíblica (como os valdenses), mas estes estiveram temporalmente e geograficamente restritos.


Sabendo então que esses grupos heréticos de modo algum poderiam ser classificados como igrejas visíveis ortodoxas, podemos perguntar: Em qual (is) congregação (ões) foi pregada a verdadeira fé, administrados os sacramentos e conciliados os pecadores durante a Idade Média? A única hipótese racional causaria transtorno entre os evangélicos atuais: tais congregações pertenciam às Igrejas Católicas Romanas e Gregas. Excetuando-se os já citados grupos, era lá que os verdadeiros servos de Deus praticavam sua fé em conjunto

Na verdade, as duas grandes vertentes do Cristianismo( as igrejas católicas, ortodoxas), criamno mesmo Deus, no mesmo Cristo, e na mesma fé básica que nós, conforme será exposto a seguir:

A respeito de Deus:  Crê-se num Deus único, auto-existente, eterno, triúno, onipotente, onipresente, onisciente, misericordioso, amoroso, justo e santo

A respeito de Cristo: Sua divindade, humanidade, concepção divina, nascimento virginal, batismo por João, ministério(ensinamentos e milagres), julgamento pelos ímpios, morte expiatória, ressurreição corporal, ascenção aos céus e segunda vinda, a fim de julgar.

A respeito da fé:  A queda e a pecaminosidade do homem ; a necessidade de um Salvador; a salvação através da morte expiatória de Cristo; a ressurreição corporal e glória eterna para os fiéis; o castigo para os ímpios; a crença nos sacramentos do batismoe eucaristia.

A respeito das obras: A necessidade do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos a lei de Deus representada nos Dez Mandamentos.a frequência ao culto público; a prática da oração, das obras de piedade e caridade; a necessidade de uma vida santa e consagrada a Deus.

Em todos esses pontos, a Igreja medieval foi, pelo menos na teoria, fiel aos princípios bíblicos. Vale lembrar também que, em muitos outros pontos, havia maior liberdade de pensamento no que na ICAR tridentina (que decidiu, diante da "ameaça" protestante, rejeitar frontalmente e de uma vez por todas os ensinos dos reformadores).

Por fim, devemos nos lembrar que a salvação tem como base a fé em Cristo, em sua verdade revelada que, como podemos ver, ao menos em sua forma básica se encontrava presente na Igreja medieval  Assim sendo, os cristãos da época que fossem consagrados e que possuissem a fé universal( tal qual manifestada nos credos, no Pai Nosso e na moral cristã), passaram pelo novo nascimento e continuaram em suas igrejas de origem, e,mesmo incorrendo em certos erros, alcançaram a salvação. Como não se render ao exemplo de grandes cristãos não-protestantes, mártires, teólogos, pastores e confessores? Como não estimar Francisco de Assis, Bernardo de Claraval, Tomás de Kempis e tantos outros? Será que eles, cujas vidas ofereceram sobre o altar do Crucificado, haveriam de ser condenados ao inferno pelos erros que porventura tiveram em matéria de doutrina?

Muita coisa boa ocorreu na Igreja medieval: brilhantes obras de teologia, textos e práticas devocionais, excelentes hinos (como o belíssimo canto gregoriano), o surgimento do sistema universitário, a beleza da arquitetura eclesiástica, uma série de movimentos avivalistas (como os franciscanos, os místicos germânicos e os "Irmãos de Vida Comum) e os exemplos de vida dos já citados santos.

One of the Legend of St. Francis frescoes at Assisi
É claro que não podemos fechar os olhos para os erros desse período. Várias teorias não-bíblicas, como o purgatório, se desenvolveram então. A mariologia da época tendeu para um excesso, no qual a  doce e bendita mãe do Senhor foi colocada, por muitos, quase como uma deusa. A afirmação mantida pelas duas Igrejas Católicas de época(a Romana e a Grega) que suas respectivas instituições eram a única fonte de salvação, foi uma atitude soberba. Os sacramentos também tiveram sua pureza violada. Muitos clérigos eram corruptos, e os leigos, supersticiosos. Eram erros morais e doutrinários. Mas por acaso não existem erros morais e doutrinários (alguns graves) também no meio protestante atual? O que dizer dos excessos da teologia da prosperidade e do semipelagianismo em nosso meio? No entanto, não condenamos seus partidários ao inferno sem notar o que eles possuem de bom. Essa mesma tolerância deve ser estendida aos cristãos medievais. Talvez, na verdade, mesmo os mais ignorantes e supersticiosos deles fossem melhores do que nós. Pois, se eles compravam cartas de indulgência, era mirando a salvação eterna. Ao contrários de muitos dos nossos, que compram benefícios para esta vida.


Esse ano, nós protestantes celebraremos, com grande júbilo, os quinhentos anos da Reforma. Tenhamos em mente que esta não foi a reinvenção ou a reconstrução da Igreja do Novo Testamento, mas sim um importantíssimo avivamento através do qual camadas de poeira foram retiradas de sobre certas páginas da Bíblia. Mas lembremo-nos que o próprio Lutero olhava com o devido respeito, amor e honra para os grandes santos medievais.



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Lex orandi, lex credenti

Existe uma frase latina de grande significado no estudo de liturgia. "Lex orandi, lex credenti". O que ela significa? "A norma da oração é a norma da crença". Ainda não entendeu? De fato, é algo um tanto desconhecido por nós protestantes brasileiros. Essa sentença expressa que a liturgia da igreja é a imagem de sua fé, e há uma influência recíproca entre ambas. E foi isso que pudemos ver d
urante a maioria da história do Cristianismo. A própria seleção dos livros do cânon do Novo Testamento foi baseada, em parte, pelo uso destes na liturgia da Igreja primitiva. Chegando aos nossos dias, temos vários exemplos: a Igreja

Ortodoxa, em sua "Divina Liturgia" revela de forma aberta os diversos nuances de sua fé(a Santíssima Trindade, a encarnação de Cristo, a natureza do sacerdócio, o papel dos santos falecidos, etc.).Muitas congregações católicas romanas mostram a grande mudança ocorrida a partir do Concílio do Vaticano II substituindo a velha "Missa Tridentina" pela "Missa de Paulo VI "(como o aumento da atuação do laicato, possibilitado, entre outros, pela tradução da missa nos vernáculos). No entanto, entre as igrejas protestantes, a situação é muito nebulosa. Ora, sabemos que em matéria de liturgia, qualquer coisa pode ser vista entre os protestantes. De um lado, o ajoelhar ao receber a santa ceia. De outro, batismos no toboágua. De um lado, pastores com togas e estolas. De outro, pastores vestidos como o Chapolin Colorado (ou o Batman). Mas não pretendo tratar de questões muito complexas. Apenas de alguns pontos comuns entre a maioria dos evangélicos, e indigestos caroços que se propagam a cada domingo em nossas igrejas. Vejamos:

Os louvores: Conforme expressado pelo escritor Franklin Ferreira em seu livro "O Credo dos Apóstolos", boa parte de  nossos hinos seriam cantados sem problemas por espíritas e mulçumanos, visto que são neutros demais em relação aos grandes dogmas da fé cristã ortodoxa. Só se fala da benção de Deus, do cuidado de Deus e outros assuntos periféricos. Ora, tais temas estão dentro do escopo da fé cristã, e podem ser utilizados, mas na medida certa. Precisamos voltar a cantar: "Santo! Santo! Santo! Nosso Deus Triúno"; "Sempre a cruz, Jesus, meu Deus, queiras recordar-me" e outros que falam da natureza de Deus, das doutrinas da criação e da redenção em Cristo.
Existe, no entanto, casos piores: hinos abertamente heréticos sendo utilizados em cultos, de modo que em muitas igrejas tradicionais e pentecostais nominalmente sérias, podemos nos sentir num culto neopentecostal, com todo o triunfalismo da teologia da prosperidade. Os crentes exigem: "Hoje o meu milagre vai chegar", "Restitui! Eu quero de volta o que é meu" entre outras bravatas. Recentemente, comentei no Facebook a respeito de um hino que nos ensina a "pagar o preço                                         " para ir para o céu. Qualquer protestante com um pouco de conhecimento teológico sabe que o principal motivo da Reforma foi a recusa de Roma em aceitar a doutrina da "salvação pela fé apenas" (sola fide).
As orações: Geralmente, nas igrejas evangélicas, as orações não são recitadas, mas espontâneas. O que, por vezes, é um tiro no pé. Em nome da "liberdade do Espírito", os dirigentes de nossos cultos permitem que verdadeiras aberrações teológicas sejam ditas por irmãos sem muito discernimento que são escolhidos para elevarem a voz da Igreja em oração. A doutrina da Trindade é totalmente bagunçada nas preces, elementos da já citada teologia da prosperidade são propagados, e por vezes as denominações dos seres espirituais da Umbanda são utilizadas.
Os sermões: Temos visto as piores porcarias serem ditas em nossos púlpitos. Certos pregadores dizem que o diabo estuprou Eva no Éden. Há aqueles que afirmam que Jesus era rico. Outros contam testemunhos como aquele das galinhas batizadas com o Espírito Santo. E também, em relação a algo que ocorreu recentemente, é incrível ver como os pentecostais babam de raiva quando uma igreja dá a oportunidade do sermão a um padre católico romano, mas não veem problema algum em cedê-lo a um pregador neo pentecostal.
A Ceia do Senhor: Temos visto grande irreverência e uma enorme pobreza litúrgica da celebração dessa sublime ordenança do Cristianismo. Muitos pastores insistem em celebrá-la com KiSuco e pão de forma de péssima qualidade. Já que esta ceia é tão importante para nós, deveríamos celebrar com um pouco mais de solenidade, talvez utilizando-se de um só pão e um só cálice na hora da consagração, orações mais elaboradas e solenes por parte dos ministros (como é o costume tradicional do Cristianismo, datado de seus primórdios), hinos mais adequados e o uso da recitação do “Pai nosso”, oração ensinada pelo próprio Senhor Jesus.
Outras partes do culto: Entre outras práticas de nossas igrejas que são um verdadeiro desserviço á expressão da verdadeira fé, temos o tal do "reteté" e outras estranhas manifestações atribuídas ao Espírito Santo. Pensando que tal expressão representa o pentecostalismo autêntico, alguns irmãos acabam virando motivo de escândalo para outros irmãos e chacota para os ímpios.

Por fim, é necessária uma revisão nos aspectos do culto público em nossas igrejas. Este dever vir, primeiramente, do coração, mas deve também ser um “culto racional”, e expressar a beleza da contemplação da majestade de Deus. Devemos mostrar quem é o verdadeiro povo de Deus, que mantém a pura fé bíblica, conforme expressada nos credos da Igreja primitiva, e renovada pelo sopro da Reforma protestante e pelos grandes avivamentos no seio do Cristianismo. Nossas liturgias devem refletir os dogmas de nossa fé, não podemos deixa-las tão desordenadas a tal ponto de que, para um observador externo, estas não tenham diferença nenhuma daquelas praticadas por seitas e igrejas apóstatas.

domingo, 16 de abril de 2017

A Páscoa cristã

Nos tempos da Antiga Aliança, a Páscoa (termo que significa passagem), celebrava a libertação da servidão no Egito. Após o banquete desta festa- um cordeiro-, o anjo destruidor passou pelos lares do Egito, destruindo todos os primogênitos. Somente os lares que tinham na porta a marca de sangue do cordeiro imolado  permaneciam incólumes. Neste admirável sacramento, o inimigo foi destruído e o povo de Deus, perdoado.
Eis que hoje tu, cristão, tal quais as portas das casas dos hebreus, tens o sangue que te protege da ira dos inimigos. Não o sangue de um cordeiro com quatro patas e lã, mas o sangue daquele a quem os sacrificios dos antigos remetiam, o sangue de Jesus Cristo.
Foi revelado aos pais a necessidade de sacrifícios sangrentos, pois o sangue representa a vida,
e toda vez que pecamos merecemos a morte, e nossa única salvação seria a morte de alguém em nosso lugar. Nas sombras da Lei do Antigo Concerto, os animais eram designados para esse fim. Mas tais sacrifícios não podiam, de modo algum, realmente expiar nossos pecados, tendo como fim temporário ser a sombra de um sacrifício maior.
A segunda pessoa da Santíssima, Consubstancial e Indivisivel Trindade, o Filho, fez-se servo por amor de nós, habitando encarnado entre os homens, participando em tudo das misérias deles, menos no pecado. Vivendo ele sem pecado, sendo ao mesmo tempo Deus e homem, tinha as credenciais para oficializar nossa redenção. Assim ele sofreu e morreu de forma cruel e atroz. Ele tornou-se então o perfeito Cordeiro de Deus, antítipo dos sacrifícios do Antigo Testamento, garantindo então a redenção de todos aqueles que crerem em seu sacrifício.
Ele estava morto. A fria morte o tocara. Foi sepultado. Ele, de fato, pagou o preço, e conseguiu nosso resgate. Mas como poderia nos garantir a vitória, se estava morto? Passou-se a sexta-feria da Paixão. E ele estava morto. Passou-se o sábado. E ele estava morto.
No domingo, então, uma maravilha suprema aconteceu. Eis aqui a nossa Páscoa, que maior vitória nos garantiu do que a dos judeus! Visto ser Cristo perfeito sacrifício, pelo poder da divindade levantou-se poderosamente dentre os mortos, ressuscitado em corpo e alma, para eternamente reinar. Ao ressurgir, qual um valente brandindo sua espada furiosamente, pôde assegurar e fazer valer o que nos conseguiu na cruz. Ao ressurgir, garantiu que, um dia, nós que crermos também ressuscitaremos, em espírito imortal e novo corpo incorruptível. Ao ressurgir, saqueou o inferno e dividiu os despojos com seus campeões.
Após esmagar ao diabo na cruz, ele esmagou a mais forte das campeãs deste, a morte, na ressurreição. A morte foi pisada e humilhada, seu reino, saqueado, e , para nós cristãos, só a máscara lhe resta.
Alegrai-vos, cristãos, porque vosso Salvador vive, exercendo para sempre o poder de sumo-sacerdote e nosso intercessor diante do justo Pai. Alegrai-vos, pois na vitória d'Ele conseguistes todas as vitórias que vos são necessárias. Alegrai-vos, pois recebereis, em lugar deste frágil corpo, sujeito a doenças e intempéries, um corpo incorruptível e glorificado, Alegrai-vos, pois vossos espíritos gozarão de eterna bem-aventurança na glória de Deus.
Alegrai-vos também, homens ímpios, pois esta é a chance que tendes de escapar ao poder atroz da morte temporal e  da morte eterna.
Alegrai-vos, todos os seres, pois a restauração da criação está por acontecer.
Hoje, celebramos ao Rei Vencedor. Á este conquistador invicto, seja o louvor, a honra, o poder, a glória e a sabedoria. Com a força de seu braço, este comandante valente submete a todos os poderes. Bem-aventurados aqueles que o seguem. Eis a Páscoa cristã, a mais sublime das festas celebradas pelo homem.

quarta-feira, 15 de março de 2017

História da música na igreja - séculos I ao VII

Com esse artigo, gostaria de iniciar uma série de textos a respeito da evolução e características da música no culto cristão, do período dos apóstolos até os nossos dias. Começaremos falando da música sacra da Igreja primitiva.

Podemos observar, pela Bíblia, que a música sempre participou do culto à Deus. No período veterotestamentário, os levitas (descendentes de Levi, filho de Jacó) eram os responsáveis pelos cânticos, que eram acompanhados por uma série de instrumentos de corda, de sopro e de percussão. O livro de Salmos tornou-se o hinário do povo de Israel por excelência.

No Novo Testamento, vemos os apóstolos cantando com Cristo. Na ocasião, havia se desenvolvido a liturgia não apenas no Templo de Jerusalém, centro máximo da adoração judaica, mas também nas sinagogas, onde o povo ouvia a proclamação da Palavra de Deus, e oferecia suas canções e orações.

Sabemos que o Cristianismo é oriundo do Judaísmo. O Salvador e os apóstolos eram judeus. Por isso, esse modo de cantar do antigo povo de Israel foi a grande influência dos hinos cristãos nos primeiros séculos. Outra fonte de influências foi a música grega. Sendo o grego a "língua internacional" da época, os livros do Novo Testamento foram escritos nessa língua. E na medida em que o Evangelho se espalhava pela Ásia, Europa e África, muitos homens e mulheres de fala grega foram acolhidos no seio da Igreja.  A música era praticamente uma ciência para os gregos, que tentaram sistematizá-la de forma racional e matemática. Dessa associação de características judaicas e gregas, desenvolveram-se as primeiras gerações de hinos cristãos.

Nesta, que foi a primeira fase da música no culto cristão, temos algumas peculiaridades. As melodias eram cantadas em uníssono e, provavelmente, sem acompanhamento instrumental (pois os instrumentos eram considerados, por vários Pais da Igreja, como "sombras da lei" ou associados ao paganismo dos gentios) e possuíam poucas variações de altura, raramente ultrapassando a oitava. Provavelmente o termo "cantochão" daí se deriva.

Temos registros dos cânticos por parte de Inácio, bispo de Antioquia. Ele introduziu o costume da "salmodia antifonal" na liturgia cristã. Essa consiste no canto intercalado entre grupos na congregação, ou entre esta e cantores "especializados".

Mesmo o intelectual pagão Plínio, o Jovem, registra os cânticos da Igreja, afirmando que os cristãos tinham o "(...) costume de se reunirem num dia fixo, antes do nascer do sol, para cantar um hino a Cristo como a um deus"

Mas quais hinos eram cantados? Além dos Salmos, vários outros cânticos, alguns provenientes dos Evangelhos. O Magnificat (Cântico de Maria – Lc 1.46-55) e o Nunc Dimittis (Cântico de Simeão – Lc 2.29-32) são alguns deles. Aos poucos, entre os séculos II e IV outros hinos, geralmente escritos em grego, surgiram. Entre os hinos desse período, temos o "Luz bendita", até hoje entoado nas igrejas católicas gregas. Também temos as "Odes de Salomão", coleção de hinos escritos em siríaco. Alguns pais da Igreja do período, como Clemente de Alexandria e Gregório de Nazianzo também escreveram hinos.

No século IV, viveu Éfrem, o Sírio. Grande apologista da sã doutrina, escreveu muito de sua obra na forma de hinos. Por isso ficou conhecido como "a cítara do Espírito Santo".

No Ocidente, o grande teólogo e bispo Ambrósio de Milão era um amante da música. Escreveu muitos hinos, cujas traduções podem ser ouvidas até hoje em muitas igrejas, além de arranjar melodias no estilo daquelas compostas pelos primeiros cristãos. Ambrósio também compilou os primeiros hinários, e esse tipo de música ficou conhecida como "canto ambrosiano". Agostinho de Hipona, considerado o maior dos Pais da Igreja, reconfortava sua alma nos cultos da igreja de Milão, relatando o seguinte em suas célebres "Confissões":

"Quantas lágrimas verti, de profunda comoção, ao mavioso ressoar de teus hinos e cânticos em tua igreja! Aquelas vozes penetravam nos meus ouvidos e destilavam a verdade em meu coração, inflamando-o de doce piedade, enquanto corria meu pranto e eu sentia um grande bem-estar.” (Agostinho, Confissões)

A tradição atribui o célebre hino latino "Te Deum" (A Ti, ó Deus, Louvamos) à autoria conjunta de Ambrósio e Agostinho.

Enquanto isso, no Oriente, João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla, encarrega o músico da corte imperial de desenvolver músicas para as igrejas. A partir daí surgirá o "canto bizantino", até hoje entoado nas Igrejas Ortodoxas.

O auge de toda essa produção de hinos se dá com o chamado "canto gregoriano", baseado nos já citados hinos dos primeiros cristãos. Recebe este nome devido ao papel indispensável do papa Gregório Magno em sua organização Escritor de muitos hinos, como o "Audi Benigne Conditor" e o "Nocte Surgentes", Gregório compilou também um "Antifonário", com os textos das Horas Canônicas e um "Gradual", com os cânticos utilizados na liturgia da missa. Iniciou também uma "Schola Cantorum", que traria grandes desenvolvimentos a esse tipo de canto, originalmente chamado de "canto romano". Além de ser cantados em uníssono e sem acompanhamento, tinham como característica a grande frequência de passagens melismáticas.

O canto romano ou gregoriano vicejaria na Europa nos séculos seguintes, tendo se expandido, entre outros fatores, graças à tentativa de Carlos Magno de unificar a liturgia em seu vasto império. A partir de então, essa veio a se tornar a música por excelência da Igreja ocidental durante séculos.

No entanto, nesse período, a congregação tornou-se uma mera expectadora da liturgia divina. Estabelecendo-se o latim como língua litúrgica oficial (mesmo que o povo não a entendesse), o canto gregoriano se tornou prática exclusiva dos sacerdotes e de coros treinados. Somente com a Reforma Protestante do século XVI veremos a liturgia contar novamente com a participação popular. Na Igreja Católica, haveria uma série de inovações na música, que veremos em outras postagens. Mas no seio dessa instituição, a partir do século XIX, graças a obra dos religiosos do "Mosteiro de São Pedro de Solesmes", o canto gregoriano passa a ser muito mais valorizado, divulgado e estudado. Atualmente, em várias lojas e livrarias podemos encontrar cds deste estilo gravados por coros de monges de várias partes do mundo. Na opinião do Rev. João Wilson Faustini, pastor da Igreja Presbiteriana Independente (IPIB), e grande especialista em música litúrgica, o canto gregoriano “É considerado o tipo mais puro de música sacra que existe, por ser completamente diferente da música secular e estar associado só a cantos litúrgicos”.

No próximo artigo, estudaremos o desenvolvimento da música eclesiástica na Idade Média.


                                                                  APÊNDICE:
            Mas Giovani, eu vi no Youtube uma gravação de canto gregoriano em que se invoca "lúcifer". Como explicar isso?

R. Na verdade, existe a tal palavra, mas devemos entender que no contexto em que está sendo usada, não se refere ao adversário de nossas almas, e sim a nosso Senhor Jesus Cristo. Trata-se de um canto da Vigília de Sábado Santo na qual Cristo é devidamente chamado de "astro da manhã", que em latim se diz "lucifer". Sabemos que o diabo não é mais um anjo de luz, mas Cristo é por excelência um astro resplandecente brilhando como a manhã da vida eterna em nossas almas (Ml 4.2, Pv 4.18), . Por último, na Vulgata, tradução latina da Bíblia feita por Jerônimo, podemos ver que "lucifer", em outras passagens, também tem um bom sentido, como usado em II Pe 1,19 (traduzida na versão Almeida como "estrela da alva"). Assim sendo, quem atacou a ICAR, na Internet, com esse argumento, deveria estudar mais.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A importância da comunhão entre os cristãos

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” Sl 133.1

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” Jo 13.34-35

    Ora, nos é notório, em todo o Novo Testamento, o amar à todos os homens. Mesmo nossos inimigos devem ser alvos de nossas intercessões e bênçãos. Assim, se segue a glória do amor de Deus: amar os próprios inimigos.

     Mas o que dizer então do amor fraterno, esse amor tão puro e forte que deve unir os filhos de Deus?

     Francisco de Sales nos ilumina a questão, ao dizer: “Meu Deus, se a boa amizade humana é tão agradavelmente amável, que não será ver a suavidade sagrada do amor recíproco dos bem-aventurados?”

     Eis como devem ser as amizades na fé, surpreendentes para o mundo. Uma amizade fundamentada na fé é verdadeira e jamais perece. Selada pelo próprio sangue de Cristo, esta relação afetiva deve se mostrar em obras, não em meras palavras. Muitas vezes temos visto o amor cristão ser reduzido a uma saudação com um sorriso no rosto, ou um abraço “instigado” pelos típicos pregadores de congressos em nossas igrejas. É óbvia a importância da cordialidade entre os cristãos, mas a comunhão deve ser mais profunda: Deve ser a mais terna comunhão de alma, a vontade de se estar ao lado do amigo, o querer-lhe bem de forma mais profunda, o ajudá-lo em suas dificuldades, o instruir-lhe e e o deixar instruir-se  por ele , na fé cristã.

     Deve haver:

    Comunhão na fé: A crença no mesmo Deus, no mesmo Cristo, na mesma fé básica. As orações recíprocas, estudos bíblicos, conversas sobre as coisas do alto, frequência ás reuniões de culto público(quando se congrega no mesmo lugar), bons conselhos e até mesmo repreensões, quando necessárias.

    Comunhão nas várias áreas da vida: O cristão, não sendo anjo, tem diversos assuntos que lhes importam para esta vida. Assim, precisam também trabalhar, estudar, pagar impostos. E estão passíveis de enfermidades, tentações e lutas. É ideal que, em todas essas áreas, os cristãos possam ajudar-se mutuamente no que for possível. Eis também, nas escolas e nas ocupações, a chance de manter comunhão com irmãos de outras tradições. Na área acadêmica, temos o ótimo exemplo da Aliança Bíblica Universitária (ABU), em meio a terrenos dominados pelo materialismo.

      Na amizade cristã, deve haver não apenas comunhão a respeito das crenças e obras de piedade, mas também, entre outros, atividades  daquilo que convém-se chamar “diversão”. É proveitoso e bom que os cristãos, especialmente os jovens, tenham atividades lúdicas, passatempos saudáveis, conversas sobre trivialidades, entre si. Uma comunhão em várias áreas. É assim que nasce uma boa amizade, como as queremos entre as ovelhas de Cristo.
   
      Devemos usar certos critérios ao escolher os amigos. Muitos deles acabam se tornando uma pedra de tropeço.. Sejamos bons para com todos aqueles que nos rodearem, e estendamos nossa amizade àqueles que, mesmo sem fé, se dão ao respeito. Mas lembremo-nos da grande importância de amizades cristãs, forjadas no fogo do zelo do Senhor.

   Assim sendo, busquemos uma comunhão mais íntima na Igreja, pautada pelo amor fraterno, respeito às diferenças, boa consciência e bom senso.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A grande dádiva dos livros


II Tm 4.13

“Quando vieres, traze a capa que deixei em
Troade , em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos”

   
       Resultado do desenvolvimento atingido pelas culturas humanas há quase seis mil anos, os livros fazem, sem dúvida, parte do mandato cultural, aquela ordem dada por Deus para que o homem dominasse, transformasse e o glorificasse através das obras que desenvolveriam.
    Estima-se que a escrita tenha surgido na Suméria, num tipo chamado "cuneiforme", há cerca de cinco mil e quinhentos anos. A partir desta época, surgiram em variados lugares, como o Egito, a China e a Índia, uma série de sistemas de escrita. Provavelmente os primeiros livros eram inventários de bens e códigos de leis. Mas logo surgiram livros com a temática sobrenatural, envolvendo deuses, espíritos, profetas e sacerdotes. Esse tipo de escrita sacra seguiu se desenvolvendo ao longo de toda a Antiguidade, e no período que se extendeu por volta de 1.400 a.C. à 100d.C., a Bíblia Sagrada foi escrita e compilada. Com sua inspiração divina, comprovada pelo teste da História, suas particularidades, sua profunda verdade moral e pelo magistério do Espírito Santo, este livro deve ser nosso único guia de fé e prática. Ela é suficiente para guiar a conduta cristã em matéria espiritual e moral.
     Tratando destes assuntos, escrita e livros, o que as Sagradas Escrituras nos ensinam sobre os tais? O grande apóstolo dos gentios nos sugere a resposta. Os bons livros devem sempre estar juntos de nós.
    Já temos visto que, de modo algum, as Escrituras nos proíbem, conforme apregoado por alguns, o conhecimento teológico, histórico, científico, racional e filosófico como formas de auxílio na interpretação da Bíblia. A letra que mata não é o conhecimento acadêmico, e sim a letra da Lei, ministério da morte, gravado em pedras II Co 3.6-8. Muitos homens de Deus ficaram conhecidos por seu conhecimento, como Daniel e seus companheiros, “doutos em conhecimento (Dn 1.4,20.) Salomão foi escritor de cânticos e provérbios. E o já citado Paulo conhecia muito da tradição judaica e a tradição e filosofia gregas, chegando a debater com filósofos no Areópago.(At 17.16-34)
    Vejamos, irmãos, a grande dádiva que nos dão os livros, a ponto de Deus revelar sua salvação à humanidade na forma destes! Quantos livro de grandes pensadores têm nos edificado. Obras  sobre cultura, ficção, história, ciência, moral e filosofia. Através das grandes obras de alguns autores não-cristãos, podemos ver que até mesmo sobre estes Deus derrama um tanto de sua verdade e um tipo de sabedoria.
    E o que dizer então da produção de obras sobre crer e obedecer, fé e obras, ortodoxia e santidade, os mistérios de Deus na humanidade e seu agir bondoso e o que Ele deseja de nós? O Cristianismo foi a maior fonte de produção literária da humanidade. Desde os chamados Pais da Igreja (pensadores cristãos dos primeiro séculos conhecidos por sua piedade, ortodoxia e publicação teológica), passando pelos monges administradores das bibliotecas medievais, e pelos reformadores (que eram homens cultos e davam ênfase ao ensino infantil e juvenil), até os apologistas e sábios que brilhantemente tratam dos assuntos sagrados em nossos dias, temos  um tesouro inesgotável. As grandes obras passam pelo crivo da História. Sob a santa fé cristã, surgiu o sistema universitário moderno. Por religiosos foi fundado o método científico. Nisso tudo vemos a importância dos bons livros.
    É óbvio que os mais sábios podem ler certas coisas que turbariam os mais fracos. É nossa missão, daqueles que  já estão na fé há um tempo, recomendar e aconselhar irmãos mais simples ou novos-convertidos sobre o que devem ler. Mas sempre devemos propagar esse hábito a outros cristãos, pela série de benefícios que daí advém, para a glória de Deus.
    Com a graça de Deus, diversas editoras cristãs passaram a  produzir material de ótima qualidade teológica, como a CPAD, a JUERP, a ECC e várias outras. É importante que os obreiros tenham hábito de leitura e o propaguem aos outros irmãos. E, como já foi dito, mesmo livros seculares  podem ser excelente fonte de benefícios.
    Dos tratados teológicos de Agostinho aos livros de  ficção de Tolkien. Das epístolas de Calvino aos grandes historiadores. Dos sermões de Lutero às alegorias de Lewis. Muita coisa está disponível para essa edificação (em vários sentidos).

    Que possamos nos utilizar do dom da leitura para edificar a nós mesmos e aos que nos rodearem.